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Reinaldo Martinazzo

O Mito do Primeiro Impulso

Porque o verdadeiro trabalho começa depois que o prato gira

Vivemos em uma época fascinada pelos começos.

Celebramos inaugurações, lançamentos, campanhas, estratégias, contratações, aquisições e transformações. O mercado aprendeu a admirar quem cria, quem inicia movimentos, quem apresenta novidades e quem desafia o status quo.

Não há nada de errado nisso. Toda construção humana começa com um primeiro impulso.

O problema surge quando passamos a acreditar que o impulso é a própria construção.

Talvez por isso tantas iniciativas promissoras desapareçam antes de produzir os resultados que prometiam.

Não porque tenham sido mal concebidas.

Não porque lhes faltasse talento.

Mas porque lhes faltou sustentação.

Ao longo dos anos, passei a observar um padrão curioso. Organizações costumam investir enorme energia para iniciar projetos e relativamente pouca energia para mantê-los vivos.

Planejamentos estratégicos recebem atenção intensa durante sua elaboração, mas perdem força durante a execução.

Programas de cultura organizacional mobilizam lideranças em seu lançamento, mas raramente recebem o mesmo esforço de acompanhamento meses depois.

Campanhas de marketing geram entusiasmo imediato, enquanto a construção de reputação, que exige consistência e continuidade, recebe menos atenção do que deveria.

O mercado adora heróis da inauguração, mas pouco se fala sobre os guardiões da continuidade.

Talvez porque o início seja visível, enquanto que a continuidade, não.

O lançamento produz aplausos.

A sustentação produz resultados.

Recentemente, durante uma reunião de mentoria, utilizei uma antiga figura de linguagem para provocar uma reflexão.

A imagem era simples: um artista de circo equilibrando pratos sobre longas hastes.

À primeira vista, o espetáculo parece estar na capacidade de colocar os pratos para girar.

Mas basta observar com mais atenção para perceber que o verdadeiro trabalho acontece depois.

O artista retorna continuamente a cada haste.

Corrige pequenas oscilações.

Devolve energia ao sistema.

Evita que aquilo que já está funcionando pare de funcionar.

Se deixar de fazê-lo, os pratos caem.

A metáfora me parece poderosa porque descreve com precisão o que acontece nas organizações.

Clientes são conquistados e depois negligenciados.

Processos são implantados e depois esquecidos.

Equipes são treinadas e depois abandonadas à própria sorte.

Valores são definidos e depois não são praticados.

Estratégias são aprovadas e depois não são acompanhadas.

Em todos esses casos, o problema raramente está no primeiro impulso.

O problema está na falsa crença de que o movimento continuará sozinho.

Não continuará.

Nunca continuou.

E provavelmente nunca continuará.

Existe uma diferença importante entre criar valor e sustentar valor.

Criar exige visão.

Sustentar exige disciplina.

Criar exige inspiração.

Sustentar exige método.

Criar exige coragem.

Sustentar exige consistência.

Talvez por isso a sustentação receba menos reconhecimento. Ela costuma ser menos glamorosa. Não produz manchetes. Não gera a mesma admiração reservada aos inovadores e aos fundadores.

Mas é justamente ela que transforma iniciativas em legados.

No marketing, isso significa compreender que uma campanha não constrói uma marca.

Ela apenas inicia uma conversa.

Na liderança, significa entender que um discurso não constrói engajamento.

Ele apenas inaugura uma direção.

Na gestão, significa reconhecer que um planejamento não produz resultados.

Ele apenas estabelece uma intenção.

Resultados nascem da capacidade de renovar o impulso quando o entusiasmo inicial desaparece.

Talvez uma das competências mais subestimadas do mundo corporativo seja exatamente essa: a capacidade de sustentar.

Sustentar cultura.

Sustentar relacionamentos.

Sustentar reputações.

Sustentar processos.

Sustentar equipes.

Sustentar resultados.

Porque, ao contrário do que aprendemos a acreditar, o verdadeiro trabalho não começa quando o prato gira.

O verdadeiro trabalho começa quando ele ameaça parar.

O que mais me agrada nessa direção é que ela não é uma crítica ao marketing, à inovação ou ao empreendedorismo. Ela é uma crítica ao desequilíbrio.

Então, a tese deixa de ser “começar é ruim” e passa a ser: Criar é indispensável. Sustentar é insubstituível.

Sem dúvida, uma linha de raciocínio que pode ser transformada em uma palestra, workshop ou processo de mentoria adaptado ao contexto da sua equipe.

Porque pensar é apenas o começo…

Reinaldo Martinazzo | Mentor Empresarial e Palestrante

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