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Nesta semana em que celebramos o Dia do Professor, quero propor uma homenagem diferente. Durante 22 anos, entrei em salas de aula acreditando que ensinava Marketing, Liderança e Gestão. Quinze anos depois de uma dessas aulas, um ex-aluno me encontrou por acaso e me devolveu algo que eu já nem lembrava ter ensinado – mas transformado pela experiência, pelo contexto e pelo discernimento. Foi quando compreendi que algumas aulas não terminam quando o professor deixa a sala. Elas seguem viagem, encontram a vida e, algumas vezes, retornam muitos anos depois. O que volta? É sobre isso que escrevo em “Quando o Conhecimento Volta”.
Estamos vivendo uma era em que muitos acreditam que o futuro pertence às máquinas. Mas, ao observar mais profundamente o impacto da automação no trabalho, no consumo e na estratégia, fica claro que a tecnologia só cria vantagem quando é guiada por pessoas capazes de interpretar, sentir e decidir. Neste artigo, exploro porque a sensibilidade humana será o diferencial que definirá quem continuará relevante nos próximos anos.
Nunca tivemos tanto acesso a dados, sistemas e inteligência artificial. Ainda assim, decisões frágeis continuam sendo tomadas dentro de organizações cheias de profissionais competentes. O problema não está na tecnologia – está na dificuldade de transformar inteligência individual em sabedoria coletiva. Liderar na era da abundância talvez seja menos sobre acumular informação e mais sobre cultivar ambientes onde discernimento, maturidade e responsabilidade possam florescer.
Há quase cinquenta anos, uma ideia de Edward de Bono me acompanha: nada conserta um buraco cavado no lugar errado. Mas o que acontece quando o lugar estava certo e o terreno mudou? Ou quando nos tornamos tão competentes em cavar que deixamos de perguntar o que estávamos procurando? Mercados mudaram, ferramentas evoluíram e nossos desafios também. Talvez algumas das decisões mais difíceis não estejam em descobrir como cavar melhor, mas em reconhecer quando é hora de aprofundar, mudar de direção — ou simplesmente parar de cavar e olhar para cima.
Hoje compartilho com vocês um caso que foi extraído do meu caderno de anotações. A arte é uma linguagem capaz de transformar valores e conceitos organizacionais em símbolos compartilháveis. O Marketing pode e deve utilizá-la, mas para tanto tem que compreender que sua potência é maior do que sua função instrumental. Te convido à leitura e reflexão. Deixe também a tua opinião a respeito da utilização da arte como ferramenta estratégica no Marketing
Se amanhã sua empresa perdesse seus prédios, equipamentos e sistemas, o prejuízo seria enorme. Mas talvez fosse recuperável. Agora imagine perder algo muito mais difícil de reconstruir: a confiança, a credibilidade, o respeito e o significado. Vivemos falando sobre crescimento, inovação e transformação, mas raramente discutimos aquilo que precisa ser preservado para que toda essa mudança faça sentido. Porque existem ativos que aparecem nos balanços. E existem patrimônios que vivem exclusivamente na mente e no coração das pessoas. São eles que sustentam tudo o mais. E são eles que correm maior risco quando esquecemos quem somos.
Há ideias que nos fazem aprender algo novo. Outras nos obrigam a reencontrar aquilo que sempre esteve diante dos nossos olhos. Tenho a impressão de que esta reflexão pertence ao segundo grupo. Durante muito tempo acreditamos que o desafio das organizações era produzir mais conhecimento. Hoje começo a suspeitar de que o verdadeiro desafio seja outro: recuperar o discernimento para reconhecer o tempo das coisas. A natureza sempre soube que acelerar não significa amadurecer. Talvez nós estejamos apenas começando a reaprender essa lição. Porque pensar é apenas o começo.
Em nome da eficiência, muitas organizações estão, silenciosamente, abrindo mão daquilo que sustenta qualquer relação: a escuta. Automatizam processos, refinam indicadores e operam com precisão — mas deixam de perceber o essencial: o cliente real, com suas nuances, contextos e necessidades. Quando o diálogo é substituído por fluxos e a experiência por métricas, a eficiência deixa de ser virtude e passa a ser distanciamento. E é nesse ponto que, mesmo sem ruído, o relacionamento começa a desaparecer.
Quase tudo o que admiramos começou com uma grande ideia. Mas quase tudo o que permanece relevante foi sustentado por milhares de pequenos esforços invisíveis. Em uma época fascinada pela novidade, talvez estejamos subestimando justamente aquilo que transforma iniciativas em legados. Este artigo é um convite para refletir sobre a diferença entre criar valor e sustentá-lo.

Reinaldo Martinazzo

Fundador da Vitória, com mais de 40 anos de experiência, desempenhou funções de destaque em departamentos de marketing nos setores financeiro, de seguros e de saúde.

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