Picture of Reinaldo Martinazzo

Reinaldo Martinazzo

Diário de Bordo de um Mentor Empresarial

Durante muitos anos da minha vida profissional, ouvi — e também repeti — uma ideia aparentemente simples: precisamos ser competentes.

A carreira parecia girar em torno disso:
Acumular conhecimento.
Dominar ferramentas.
Resolver problemas.

Mas, com o tempo, percebi algo curioso: a competência tem prazo.

Ela funciona muito bem até o momento em que somos empurrados para o próximo nível.

Quando um analista se torna gestor.
Quando um gestor precisa liderar pessoas.
Quando um líder precisa tomar decisões em ambientes de incerteza.

Nesse instante acontece algo inevitável.

Entramos em território onde a nossa competência ainda não chegou.

Em outras palavras, encontramos a nossa incompetência.

A maioria das pessoas reage a esse encontro de duas maneiras.

Algumas fingem que ela não existe.
Outras tentam permanecer eternamente na zona onde já se sentem seguras.

Mas existe um terceiro caminho.

Um caminho mais difícil — e muito mais interessante.

É o caminho de empurrar continuamente a nossa incompetência para frente.

Significa reconhecer os próprios limites.
Aprender antes que o mundo nos obrigue.
Evoluir antes que a realidade nos cobre.

Ao longo de mais de quarenta anos no mundo da gestão, da academia e agora da Mentoria Empresarial, percebi que as trajetórias mais interessantes são exatamente assim.

Pessoas que sabem onde termina a sua competência atual.

E que trabalham todos os dias para ampliar essa fronteira.

Mas há também outra lição importante.

Saber onde está a própria incompetência não significa entrar nela de forma irresponsável.

Significa evitá-la quando necessário, buscar ajuda quando preciso e desenvolver a maturidade para saber quando avançar — e quando aprender primeiro.

Uma nova fase da Newsletter

A partir de agora, Reflexões de um Mentor passa a ter periodicidade semanal.

A ideia é simples.

Compartilhar, com mais frequência, reflexões que nascem da prática da Mentoria Empresarial.

Ao longo da minha trajetória, fui percebendo que o trabalho de um mentor vai muito além de aconselhamento pontual.

Ele envolve interpretar contextos, provocar reflexão, ajudar líderes a enxergar ângulos que muitas vezes passam despercebidos no ritmo acelerado das organizações.

Por isso, esta Newsletter alternará dois tipos de conteúdo.

Alguns textos serão reflexões conceituais, fruto dos meus estudos e da vida na academia onde por décadas formei gente para o mercado de trabalho.

Outros virão diretamente do que costumo chamar de “Diário de Bordo de um Mentor Empresarial”, que é fruto da observação das organizações, da atuação dos líderes e dos movimentos dos mercados, onde nos deparamos com situações reais, dilemas de liderança, decisões difíceis, erros silenciosos e aprendizados que surgem no cotidiano das empresas.

Porque, no final das contas, a vida profissional não evolui apenas com teoria.

Ela evolui com observação, reflexão e consciência de si mesmo.

Se existe uma ideia que resume tudo isso, talvez seja esta:

ninguém é competente para sempre.

Somos apenas aprendizes do próximo nível.

Talvez a verdadeira maturidade profissional esteja justamente em aceitar essa condição.

E você, ao longo da trajetória profissional, em que momento percebeu que precisava aprender algo completamente novo para continuar evoluindo?

Se essa reflexão fez sentido para você, será um prazer continuar essa conversa.

Reinaldo Martinazzo
Mentor Empresarial & Palestrante
Provoca líderes a pensar antes que o mercado os obrigue.

Em um mundo que acelera processos e automatiza decisões, o verdadeiro desafio da liderança continua sendo profundamente humano: saber o que deve evoluir — e, principalmente, o que precisa ser deixado para trás. Porque, no fim, não são os paradigmas que nos limitam… somos nós, quando insistimos em consertar aquilo que já cumpriu o seu papel.
A maior ameaça às decisões estratégicas não é a falta de conhecimento, mas o excesso de certeza. A arrogância cognitiva nasce quando a experiência deixa de ampliar a percepção e passa a filtrar a realidade. Líderes competentes erram não por ignorância, mas por se apoiarem demais no que já sabem — e de menos no que o contexto ainda tenta dizer. Em tempos de ruptura, saber que não sabe deixou de ser fraqueza. Tornou-se inteligência estratégica.
Todo líder corre um risco silencioso: apaixonar-se pelo próprio passado. O que ontem foi mérito, hoje pode ser limite. O que foi experiência, pode virar resistência. Sem uma voz que provoque, que confronte e que amplie a visão, a história deixa de ser legado e se transforma em âncora. E quando isso acontece, o futuro não é perdido por falta de capacidade – é perdido por excesso de apego.
O avanço do marketing não eliminou a necessidade de relações – apenas tornou sua ausência mais evidente. Em um ambiente onde tecnologia e eficiência se tornaram acessíveis a todos, o verdadeiro diferencial passa a ser aquilo que não se automatiza: a capacidade de construir vínculos reais, sustentados por coerência, presença e significado. O futuro do marketing não será definido por quem melhor utiliza ferramentas, mas por quem melhor compreende – e respeita – as pessoas.