Picture of Reinaldo Martinazzo

Reinaldo Martinazzo

Estética Não é Frescura: O Preço de Ignorar o Valor Visual no Branding.

Quando o Bonitinho Vira o Inimigo da Marca

A estética como guardiã do posicionamento

Na minha trajetória como profissional de marketing, aprendi que uma boa estratégia só conquista espaço na mente do público quando é sustentada por uma comunicação coerente e impecável.
Comunicação de marketing não é apenas “fazer peças bonitas”: é um conjunto integrado de elementos – design, texto e até mesmo atitudes – que moldam a percepção de uma organização.

O cuidado estético não é vaidade. É blindagem estratégica. A harmonia visual e a consistência gráfica são a tradução tangível do posicionamento. Um deslize na estética é como uma rachadura na fachada de um prédio: pequena no início, mas capaz de comprometer, com o tempo, toda a estrutura.

Onde começa a ruir

A corrosão da comunicação raramente acontece de forma abrupta. Ela é lenta, quase imperceptível no início. Tudo começa quando alguém, sem sensibilidade para o valor estético, decide criar ou aprovar materiais sem estar alinhado aos conceitos que sustentam a marca.

Primeiro, troca-se o refinado pelo “bonitinho”. Depois, outros elementos começam a fugir do padrão, como por exemplo: tipografias desalinhadas, imagens de baixa qualidade e composições sem equilíbrio vão se infiltrando no dia a dia. Até que, sem perceber, a marca se encontra no que chamo de “inferno no branding — um território onde nada conversa com nada e a percepção de valor despenca.

Os destruidores involuntários da estética

Quem são os protagonistas desse processo de desgaste?

  • Líderes que não compreendem o alcance da estética, aprovando soluções simplistas para “agilizar” ou “economizar”;
  • Briefings incompletos ou distorcidos, que deixam a equipe de criação sem base sólida para trabalhar;
  • Profissionais de criação com repertório limitado, ainda “verdes” para entender o impacto de suas escolhas visuais; e
  • Direção de arte influenciada pela lógica das mídias sociais, acostumada a valorizar apenas o registro rápido, sem atenção à composição, à iluminação, à escolha de tipografia ou ao equilíbrio de cores.

Quando o padrão de qualidade visual se submete ao imediatismo, a estética deixa de ser um ativo e passa a ser um passivo.

4. O preço do descuido

A estética precária não afeta apenas o “olhar” sobre a marca. Ela:

  • Erosiona a percepção de valor;
  • Rompe a coerência entre o discurso e a imagem;
  • Afasta públicos mais exigentes e sensíveis à qualidade; e
  • Gera retrabalho e desperdício de recursos.

Em branding, a consistência é um investimento; a incoerência, uma dívida.

O antídoto

Recuperar – ou preservar – a força estética exige:

  • Respeito às diretrizes de branding e à identidade visual;
  • Formação estética contínua, ampliando repertório de quem cria e aprova;
  • Envolvimento da liderança no entendimento de que estética é estratégia; e
  • Valorização da fotografia, tipografia e composição visual como patrimônio da marca.

Quando a estética é tratada como aliada estratégica, cada peça, cada cor, cada imagem se torna um tijolo a mais na construção da reputação.

Uma marca pode sobreviver a crises de mercado, mudanças de produto e até reestruturações profundas. Mas dificilmente sobrevive quando deixa a sua estética à deriva.
A pergunta que deixo é simples:

A comunicação da sua marca está sustentando o seu posicionamento ou abrindo as portas para o “inferno no branding”?

Não é ao acaso que começamos o ano com este tema. Percebemos que a maioria dos líderes ainda tenta controlar o que já não é controlável. O futuro, porém, não pertence a quem manda — mas a quem interpreta. Esta reflexão é um convite para abandonar a lógica do gestor que administra o passado e assumir a postura do líder que enxerga além do nevoeiro.
O mundo nunca foi tão instável — e, paradoxalmente, nunca se planejou tanto como se ele fosse previsível. O Planejamento Estratégico, que deveria preparar organizações para lidar com a incerteza, passou a ser usado como um antídoto emocional contra ela. Não orienta o movimento. Apenas o congela. Este texto não é sobre novas ferramentas. É sobre a ilusão de controle que ainda sustenta muitos planos — e o preço silencioso que se paga por ela.
Mas, um dia, diante do espelho, encontrei o verdadeiro inimigo. Ele estava ali, bem à minha frente — silencioso, impassível, impossível de culpar.
A maioria dos líderes não erra na decisão — erra antes, na leitura. Goleman, Weick, Schein e Boyd já mostravam isso há décadas: quando a percepção falha, o resto vira reflexo automático. Inteligência Situacional não é intuição, é a capacidade madura de ler o ambiente antes de agir. Neste artigo, mostro por que líderes conscientes interpretam antes de decidir — e por que chefes reativos apenas reagem.