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Reinaldo Martinazzo

Estética e Tangibilização: O Que os Bens Tangíveis e os Serviços Profissionais nos Ensinam Sobre Branding.

A força da percepção visual nos bens tangíveis

Nos bens de consumo, a decisão é imediata e fortemente determinada pelo visual. Alguns estudos apontam que quase 90% das pessoas decidem pela estética, enquanto que o restante, pela textura, som ou até mesmo cheiro. Isso significa que, para a maioria absoluta dos consumidores, o olhar é o primeiro filtro de escolha.

Logotipos, embalagens, tipografias e paletas de cores não são detalhes: são gatilhos de percepção. O produto pode até ter atributos funcionais superiores, mas se não “fala” visualmente com o consumidor, perde espaço. É por isso que marcas como Coca-Cola, Apple e Nike investem tanto em coerência estética: cada detalhe visual é parte da experiência de consumo.

A complexidade dos serviços profissionais

Mas nos serviços profissionais, a equação é mais complexa. Aqui não há embalagem para um diagnóstico médico, nem rótulo para uma audiência conduzida por um advogado. O que existe é um conjunto de evidências indiretas que ajudam o cliente a tangibilizar o intangível antes mesmo de contratar.

É nesse contexto que a estética se torna crucial:

  • Uma sala de espera de consultório bem iluminada, organizada e com cores neutras transmite serenidade e confiança.
  • O site de um escritório de advocacia com tipografia sóbria e design limpo comunica profissionalismo e tradição.
  • O portfólio digital de um arquiteto com fotografias bem produzidas tangibiliza criatividade e qualidade.

Sem esses elementos estéticos, o serviço permanece etéreo – e o cliente, inseguro.

A estética como evidência física na Flor de Serviços

Na clássica Flor de Serviços de Lovelock, um dos elementos de apoio à oferta principal é justamente o das Evidências Físicas. Em serviços, onde não há tangibilidade direta, são esses sinais que funcionam como provas da qualidade prometida.

A estética, portanto, é parte central dessa pétala da flor.

  • Uniformes bem cuidados funcionam como símbolos de disciplina e organização.
  • Cartões de visita, relatórios e apresentações bem diagramados reforçam seriedade.
  • A ambientação de clínicas, escritórios e espaços de atendimento é um sinal silencioso de respeito ao cliente.
  • Presença digital coerente nas redes sociais transmite consistência entre discurso e prática.

Tudo isso ajuda a reduzir a percepção de risco, algo essencial em serviços, onde o cliente só pode avaliar plenamente depois de consumir.

Estética como mecanismo de tangibilização estratégica

Se nos bens tangíveis a estética é determinante de escolha imediata, nos serviços ela é determinante de confiança antecipada. É o que permite ao cliente projetar a qualidade futura da experiência.

Negligenciar essa dimensão é abrir mão de uma poderosa ferramenta de branding.
Investir nela, por outro lado, é transformar o intangível em algo percebido, memorável e valorizado.

Provocação final

A estética dos bens encanta pelo impacto visual.
A estética dos serviços convence pela credibilidade que empresta ao invisível.

A pergunta é: as evidências físicas da sua marca estão tangibilizando valor ou expondo fragilidades?

Não é ao acaso que começamos o ano com este tema. Percebemos que a maioria dos líderes ainda tenta controlar o que já não é controlável. O futuro, porém, não pertence a quem manda — mas a quem interpreta. Esta reflexão é um convite para abandonar a lógica do gestor que administra o passado e assumir a postura do líder que enxerga além do nevoeiro.
O mundo nunca foi tão instável — e, paradoxalmente, nunca se planejou tanto como se ele fosse previsível. O Planejamento Estratégico, que deveria preparar organizações para lidar com a incerteza, passou a ser usado como um antídoto emocional contra ela. Não orienta o movimento. Apenas o congela. Este texto não é sobre novas ferramentas. É sobre a ilusão de controle que ainda sustenta muitos planos — e o preço silencioso que se paga por ela.
Mas, um dia, diante do espelho, encontrei o verdadeiro inimigo. Ele estava ali, bem à minha frente — silencioso, impassível, impossível de culpar.
A maioria dos líderes não erra na decisão — erra antes, na leitura. Goleman, Weick, Schein e Boyd já mostravam isso há décadas: quando a percepção falha, o resto vira reflexo automático. Inteligência Situacional não é intuição, é a capacidade madura de ler o ambiente antes de agir. Neste artigo, mostro por que líderes conscientes interpretam antes de decidir — e por que chefes reativos apenas reagem.