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Reinaldo Martinazzo

Por Que todo líder precisa de um “Gusteau”

A voz que impede o passado de sufocar o futuro

Em diferentes momentos das minhas palestras e qualificações, recorri a trechos de filmes, numa tentativa de ultrapassar as barreiras racionais, explorando o imaginário que habita dentro da cabeça das pessoas.

Ratatouille é um desses filmes, não apenas como recurso lúdico, mas como ferramenta estratégica.
Há personagens que são mais do que personagens.
São arquétipos. E Gusteau é um deles.

No enredo, ele não é apenas um chef renomado.
Ele é a voz que desafia o medo.
A consciência que provoca.
O mentor invisível que lembra ao protagonista que talento não pode ser prisioneiro da insegurança.

É dele uma das frases que utilizo com frequência: “Se você se concentrar no que deixou para trás, você nunca será capaz de ver o que está por vir.”

Essa não é uma frase motivacional.
É um princípio de liderança.

O perigo do líder que só escuta o próprio passado

Organizações constroem história.
E história é patrimônio.

Mas existe uma diferença sutil – e perigosa – entre honrar o passado e habitar o passado.

Quando decisões passam a ser justificadas pelo “sempre funcionou”, a experiência deixa de ser ativo e passa a ser âncora.

Líderes maduros sabem que o sucesso de ontem não garante relevância amanhã.
Mas líderes inseguros defendem o passado como quem defende a própria identidade.
E é aí que o risco começa.

Toda organização precisa de uma voz provocativa

No filme, Gusteau aparece como uma espécie de consciência estratégica.
Ele não executa.
Ele não controla.
Ele não decide pelo protagonista.

Ele amplia o campo de visão.

Essa é a essência da mentoria verdadeira: não substituir a decisão, mas expandir a percepção.

Organizações também precisam dessa voz.

Porque sem ela, a cultura tende a se proteger.
A preservar estruturas.
A evitar desconfortos.

E o futuro raramente nasce do conforto.

Liderança inspiradora versus liderança defensiva

No mesmo enredo, há um contraste claro entre dois modelos de liderança:

  • A liderança que inspira, desafia e projeta futuro; e
  • A liderança que controla, restringe e preserva poder.

A primeira, opera com visão.
A segunda, opera com medo.

A primeira prepara o amanhã.
A segunda administra o ontem.

Essa tensão não é ficção.
Ela se repete diariamente nas organizações.

Ver o que está por vir, exige desapego

Não se trata de abandonar a experiência.
Trata-se de não permitir que ela se transforme em resistência.

Ver o que está por vir, exige:

  • humildade intelectual;
  • capacidade de revisão;
  • coragem para desaprender; e
  • maturidade para admitir que o contexto mudou.

O futuro não se antecipa apenas com ferramentas.
Ele se antecipa com postura.

Onde entra a Mentoria Empresarial?

Nas andanças pelo mundo corporativo, percebi que muitos líderes não precisam de mais informações.
Precisam de alguém que funcione como essa voz estratégica – que questione premissas, amplie percepção de cenário, confronte zonas de conforto e desenvolva a habilidade de leitura situacional.

E foi exatamente isto que recentemente fizemos em uma mentoria para formação de líderes que tinham que desenvolver leitura de contexto e fixação de propósito para atuar em um mercado difícil, desafiador e muito específico.

O debate sobre trechos específicos de Ratatouille nivelou o time e todos se encontraram expondo suas virtudes e defeitos na busca de sinergia, surgindo forte a compreensão de que:

Mentoria não é terceirização de decisão.
É expansão de consciência.

Porque sabemos que todo líder corre o risco de se apaixonar pelo próprio passado.
E quando isso acontece, o futuro deixa de ser horizonte e passa a ser ameaça.

Se essa reflexão, de alguma forma fez sentido para você, terei o maior prazer em dar continuidade a essa conversa.

Nem toda ausência começa com um pedido de demissão. Muitas vezes, ela se instala silenciosamente, enquanto a pessoa continua chegando no horário, participando das reuniões e entregando resultados. O corpo permanece. Mas a curiosidade, a iniciativa, o entusiasmo e o sentimento de pertencimento já partiram. Nesta reflexão, convido você a pensar sobre um dos ativos mais invisíveis das organizações: a presença consciente. Porque empresas raramente perdem pessoas de uma única vez. Elas começam a perdê-las quando deixam de perceber que elas já não estão verdadeiramente ali.
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